Desejos maternais...
Primeiro de tudo, bom dia para todos.
Apresentando-me, sou a Ana, mãe recente de um João, que tem 1 ano.
Esta é, sem dúvida, a experiência da minha vida. Há muito que ansiava por esta 'vida', e agora que chegou a altura de vivê-la, faço-a com toda a intensidade de uma mãe com um amor infinito, como praticamente todas que existem.
Queria partilhar com vocês uma das minhas grandes dúvidas, se é que assim se pode chamar.
Ontem ao final do dia, a caminho de casa, depois de ter ido buscar o João à casa da avó, vinha a ouvir um programa na rádio chamado 'Prova Oral'. Quem não conhece, é um programa com participações telefónicas dos ouvintes, segundo um tema. Não o ouvi todo, nem mesmo do início, mas o tema principal era 'o nosso bairro', tanto de infância como o actual.
Mas fez-me lembrar na minha infância e no bairro onde ainda mora a minha mãe.
Considero-me uma pessoa com sorte nesse aspecto, porque acho que tive das infâncias mais 'fixes', comparando com outras pessoas que moram em dormitórios e em grandes cidades.
O bairro da minha mãe é um bairro na linha de Sintra, num extremo. Hoje existe uma nova rua atrás do prédio dela, mas como não é passagem para lado nenhum, embora existam mais carros e mais prédios, acaba por não haver grande circulação automóvel.
O bairro, na altura em que eu nasci, era relativamente recente e muita gente comprou ali casa para construir família, incluindo os meus pais. Com 8 blocos de prédios, com 4 blocos de apartamentos cada prédio, 3 andares mais o r/c, direito e esquerdo... façam as contas ;) Mesmo assim dava para nos conhecermos a todos e por isso acabei por ter muitos amigos de infância, alguns mais novos, outros mais velhos, uns da minha idade, mas havia sempre crianças a brincar na rua.
Os prédios foram construídos de maneira a que no meio ficasse um enorme espaço para se brincar; juntaram-se uns quantos homens, incluindo o meu pai, e formaram um grupo de pessoas para cuidar do bairro. Resultado, construíram um ringue e um parque infantil. Por isso tínhamos espaço adequado para nós brincarmos e fazermos festas, como por exemplo, nos santos populares.
Na altura não havia playstations, a televisão não tinha grandes programas infantis durante o dia, não havia dvd's, eu só tive um vídeo aos meus 12 anos (por isso não haviam filmes para passar as tardes a ver), computadores nem se ouvia falar... alternativas: rua.
Jogar à bola, jogar volley, jogar à apanhada, ao elástico, à cabra cega, andar de patins, de bicicleta, jogar ao mata, ao macaquinho do chinês, e uma infinidade de jogos de rua que hoje em dia já não é costume ver-se nas ruas. Talvez nos infantários, creches e escolas, mas não na rua.
Nos fins de semana íamos para a rua, depois do almoço, e ficávamos até ao lanche. Mas voltávamos novamente até ao jantar. E o melhor era nas férias de Verão, que podíamos ficar na rua até às 23h porque não fazia frio, porque era seguro, porque éramos muitos, porque no dia seguinte não havia escola...
Dos meus amigos chegados da escola, talvez fosse a pessoa com o melhor bairro... pelo menos, eu achava que sim.
Agora tenho um filho pequeno e penso muito no sítio onde actualmente moro. Num dormitório que, apesar de ter um jardim grande perto, não vejo muitas crianças, não conheço praticamente ninguém...
Como qualquer mãe (e pai também), quero o melhor para o meu filho, e quando penso na minha infância, nas brincadeiras de rua, nos amigos, nas conversas, acho que o meu filho iria gostar de ter algo assim para mais tarde recordar. Acho que todos nós gostamos.
Duvido que, se ele passar o tempo em frente à televisão ou da playstation (que ainda não temos), mais tarde irá recordar com carinho esses dias.
Por isso queria 'dar-lhe' um bom sítio para morar. Sítio que tenha espaço para correr, espaço para jogar, espaço para andar de bicicleta, mas espero que também tenha outros miúdos para com ele brincar.
Os pais também gostam destas coisas. E mesmo com a convicção de que vamos tentar que ele não seja viciado em computadores e playstation's, sei que é difícil hoje em dia isso não acontecer. Mas se houver amigos para brincar, quase que aposto que o resto fica para segundo plano.
Andamos à procura... sem pressas.
Se alguém conhecer um sítio assim... avise-me. ;)
Apresentando-me, sou a Ana, mãe recente de um João, que tem 1 ano.
Esta é, sem dúvida, a experiência da minha vida. Há muito que ansiava por esta 'vida', e agora que chegou a altura de vivê-la, faço-a com toda a intensidade de uma mãe com um amor infinito, como praticamente todas que existem.
Queria partilhar com vocês uma das minhas grandes dúvidas, se é que assim se pode chamar.
Ontem ao final do dia, a caminho de casa, depois de ter ido buscar o João à casa da avó, vinha a ouvir um programa na rádio chamado 'Prova Oral'. Quem não conhece, é um programa com participações telefónicas dos ouvintes, segundo um tema. Não o ouvi todo, nem mesmo do início, mas o tema principal era 'o nosso bairro', tanto de infância como o actual.
Mas fez-me lembrar na minha infância e no bairro onde ainda mora a minha mãe.
Considero-me uma pessoa com sorte nesse aspecto, porque acho que tive das infâncias mais 'fixes', comparando com outras pessoas que moram em dormitórios e em grandes cidades.
O bairro da minha mãe é um bairro na linha de Sintra, num extremo. Hoje existe uma nova rua atrás do prédio dela, mas como não é passagem para lado nenhum, embora existam mais carros e mais prédios, acaba por não haver grande circulação automóvel.
O bairro, na altura em que eu nasci, era relativamente recente e muita gente comprou ali casa para construir família, incluindo os meus pais. Com 8 blocos de prédios, com 4 blocos de apartamentos cada prédio, 3 andares mais o r/c, direito e esquerdo... façam as contas ;) Mesmo assim dava para nos conhecermos a todos e por isso acabei por ter muitos amigos de infância, alguns mais novos, outros mais velhos, uns da minha idade, mas havia sempre crianças a brincar na rua.
Os prédios foram construídos de maneira a que no meio ficasse um enorme espaço para se brincar; juntaram-se uns quantos homens, incluindo o meu pai, e formaram um grupo de pessoas para cuidar do bairro. Resultado, construíram um ringue e um parque infantil. Por isso tínhamos espaço adequado para nós brincarmos e fazermos festas, como por exemplo, nos santos populares.
Na altura não havia playstations, a televisão não tinha grandes programas infantis durante o dia, não havia dvd's, eu só tive um vídeo aos meus 12 anos (por isso não haviam filmes para passar as tardes a ver), computadores nem se ouvia falar... alternativas: rua.
Jogar à bola, jogar volley, jogar à apanhada, ao elástico, à cabra cega, andar de patins, de bicicleta, jogar ao mata, ao macaquinho do chinês, e uma infinidade de jogos de rua que hoje em dia já não é costume ver-se nas ruas. Talvez nos infantários, creches e escolas, mas não na rua.
Nos fins de semana íamos para a rua, depois do almoço, e ficávamos até ao lanche. Mas voltávamos novamente até ao jantar. E o melhor era nas férias de Verão, que podíamos ficar na rua até às 23h porque não fazia frio, porque era seguro, porque éramos muitos, porque no dia seguinte não havia escola...
Dos meus amigos chegados da escola, talvez fosse a pessoa com o melhor bairro... pelo menos, eu achava que sim.
Agora tenho um filho pequeno e penso muito no sítio onde actualmente moro. Num dormitório que, apesar de ter um jardim grande perto, não vejo muitas crianças, não conheço praticamente ninguém...
Como qualquer mãe (e pai também), quero o melhor para o meu filho, e quando penso na minha infância, nas brincadeiras de rua, nos amigos, nas conversas, acho que o meu filho iria gostar de ter algo assim para mais tarde recordar. Acho que todos nós gostamos.
Duvido que, se ele passar o tempo em frente à televisão ou da playstation (que ainda não temos), mais tarde irá recordar com carinho esses dias.
Por isso queria 'dar-lhe' um bom sítio para morar. Sítio que tenha espaço para correr, espaço para jogar, espaço para andar de bicicleta, mas espero que também tenha outros miúdos para com ele brincar.
Os pais também gostam destas coisas. E mesmo com a convicção de que vamos tentar que ele não seja viciado em computadores e playstation's, sei que é difícil hoje em dia isso não acontecer. Mas se houver amigos para brincar, quase que aposto que o resto fica para segundo plano.
Andamos à procura... sem pressas.
Se alguém conhecer um sítio assim... avise-me. ;)

5 Trocas no post:
At 11:54 AM, Trocas e Baldrocas said…
Ana, eu também tive uma infância assim, e muitos de nós das gerações de 60, 70 80 tiveram infâncias assim. É bom saber que ao contrário dos nossos pais que muitas vezes recordam a infância com tristeza porque viviam mais presos em casa ou a ajudar os pais a ganhar dinheiro, a nossas gerações eu acho forma abençoadas com a liberdade e a "boa vida". Eu só conheci a droga, soube que existia aos 14 anos e levemente, pois apenas ouvi falar, a minha irmã de 13 anos já há muito que convive com amigos que de alguma forma estão associados a ela. Eu sinto que vivi livre mas muito protegida dos perigos. Pedófilia?!!! O que era isso? Bebedeiras, raptos, violações, pancadaria da grossa, tudo isso me passava longe. Eu brincava no parque privado de um prédio enorme na madeira onde viviam 50 agregados familiares, com várias crianças. As nossas diversões eram andar de bicicleta, carrinho com pedais, jogar á bola, badmington, andar de patins, juntarmo-nos na casa de uma a brincar com legos, com as meninas que eram menos ás bonecas, pelo Funchal aos policias e ladrões, asneiras no terraço a trepar para onde não deviamos, etc.
As portas das casas abriam-se por fora rodando a maçaneta e os nossos pais estavam descansados, desde que viessemos comer a horas e fazer os trabalhos de casa, e de vez em quando davam um olho ora um ora outro, todos se conheciam e partilhavam essa tarefa pouco ardua de nos avistar.
Há pouco tempo visitei o prédio e não vi nenhuma criança a brincar.
Concluindo, se não há mais estes bairros ou prédios, cabe-nos a nós criá-los para os nossos filhos. Em vez de nos deixarmos levar pelo progresso que rouba a liberdade e a sociabilidade dos nossos filhos.
Beijos, Cláudia
At 12:29 PM, Anónimo said…
Na minha opinião, infelizmente, não é só uma questão de infraestruturas ou social mas é também e muito uma questão de mentalidade e da própria educação que os pais dão aos seus filhos, baseados nos próprios medos e receios que vão sendo incutidos aos pais e que, ainda que na infância tivessem tido essa liberdade, actualmente não lhe dão a importância devida para a procurar dar aos seus filhos. É normal, por exemplo, nos parques, nos jardins, em locais públicos os pais andarem constantemente atrás dos filhos, não deixando quase que se aproximem ou interajam com outras crianças (no nosso tempo éramos nós que resolviamos os nossos conflitos com outras crianças ou tinhamos a iniciativa de convidar outras crianças para brincarem conosco); e mesmo nos locais em que há alguma possibilidade de as crianças irem para a rua, os pais têm sempre a preocupação de não os deixar ir por causa do frio, da sujidade ou de outra qualquer desculpa. Tudo isto incute, nas próprias crianças, desde pequenas, que ir para a rua, brincar e socializar com outras crianças, não é de todo importante, principalmente quando são os próprios pais que começam por lhes dar como alternativas o ver filmes ou TV, jogar computador ou outras brincadeiras, para que possam estar mais descansados e manter os filhos longe de quaisquer problemas...Não estou a favor nem contra, mas muitas vezes são os próprios pais quem têm o maior receio e que por isso, na realidade, provavelmente prefere manter o filho por perto e por casa, para o bem ou para o mal! E se brincar sozinha, pelo menos não arranja conflitos! (eu concordo com a Ana e tento, por todos os meios, contrariar esta tendência. Mudámos -da linha de Sintra- para um local mais sossegado -zona de Oeiras- e, sempre que possivel, tentamos ir para locais públicos ou convidar amiguinhos ou vizinhos, deixando as crianças brincar à vontade - apesar de bastante controlados 'à distância', dando-lhes também uma maior autonomia e responsabilidade. E quando estão com amigos, nada de tv, computador ou jogos individualistas). Mais do que o sítio, vai também da atitude dos pais!
At 1:02 PM, Trocas e Baldrocas said…
Eu concordo. O espaço é o mais fácil de criar. Não quero dizer que antes não havia os mesmo perigos que hoje para as crianças, o problema é que nós agora somos a toda a hora alertados para esses perigos e a sobre-protecção é ás vezes demasiada e, não nos damos muitas vezes conta disso. Mas a verdade é que estamos aqui como prova de que é possivel sobreviver mesmo tendo-nos sujado na lama várias vezes, mesmo tendo brigado com os outros meninos, mesmo sem telemóveis, mesmo com violadores e pedófilos nas ruas, mesmo com drogados, etc.
Claúdia
At 3:27 PM, Costinhas said…
Oh Aninhas, por isso é que eu gosto tanto do sítio onde vivo actualmente.
Parece uma aldeia às portas da cidade. Ouvem-se os passarinhos, há espaços verdes, existem imensas crianças a brincar na rua e todos os vizinhos se conhecem e interajudam.
Cada vez mais acho que é um imenso prilégio morar numa zona assim. ainda bem que a Joana vai poder crescer e brincar como no nosso tempo.
Beijinhos,
Sandra
At 4:37 PM, AnaBond said…
Nos dias que correm é tão normal os pais dizerem 'não tenho tempo'. E colocam os filhos em frente à televisão, ensinam-lhes o que são os filmes, o computador, a playstation, o gameboy... 'fica lá aí que a mamã tem de fazer isto ou aquilo'.
Confesso que isso me assusta um pouco. Não creio que vá ser assim, e se algum dia me der para isso, tenho o meu marido para me dar um estalo mental... ou vice-versa.
Para contrariar todas as tendências actuais para as novas modernices, vamos começar por ir à mini-maratona de Lisboa em Março (se não me engano). Papá, mamã e João... às costas do pai. E seja o que d... quiser.
E mais tarde... logo se verá.
Fica já aqui a nota que andamos actualmente à procura de uma nova casa e que um dos principais requisitos - que não é abdicável - é o espaço para brincadeiras infantis. Seja lá onde isso for.
Só espero que haja por lá mais pais com as mesmas ideias que nós... os filhos mais tarde agradecem.
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