Um pai apresenta-se
Muitos de vocês já me conhecem do “Um Ano de Ti”, um relato que mantenho há quase um ano para o meu filho, para um futuro longínquo em que ele possa compreender o que escrevo e o que sinto com a ternura com que agora olho para ele e me pergunto sobre a paternidade, a vida, e quem somos nessa vida tão difícil de compreender. Mas então, para quem já me conhece, que faço aqui, no Trocas & Baldrocas?
Nunca existe um motivo único para o que quer que seja mas antes muitos motivos, díspares, e muito, muito, subjectivos. E se me ocorrem facilmente uns quantos, outros estão-me totalmente vedados ao entendimento. Acho que estou aqui porque achei o convite que o Trocas & Baldrocas lançou a todos os pais e mães blogosféricos irrecusável. Porque é motivante participar no início de qualquer projecto feito com alma e coração. Porque quem escreve para este blogue, escreve sobre os filhos que ama e para pessoas que também amam os seus próprios filhos. Porque talvez me sinta sonhador e acredite que o amor pode tudo e, quando escrevemos sobre os nossos filhos estamos, de alguma forma, a amá-los ainda mais, tornando-nos, pelo caminho, pessoas mais tolerantes, compreensivas, maduras – mais completas.
Claro que nem todos os motivos para participar no Trocas & Baldrocas são assim tão altruístas. O relato que escrevo tem um início e fim bem definidos. Termina a 31 de Janeiro de 2005. E concluo agora que, a partir do momento em que comecei a escrever sobre o meu filho, tudo mudou. Agora apercebo-me que vejo de uma forma diferente o mundo que sempre me rodeou. Sendo tudo igual em volta, tudo agora me parece distinto. Até os actos mais simples, como ir a um lavabo público e verificar se tem fraldário e se é, ou não, unisexo. É uma nova percepção da vida e do mundo. E rapidamente concluí que não poderia parar de escrever sobre o meu amor pequenino – especialmente o relacionamento entre nós os três, as mudanças nas nossas vidas ou a mudança na forma como a vemos e sentimos.
Além destes motivos, o relato que faço do primeiro ano da vida do meu filho é vocacionado, objectivo, concreto. Muitas das novas sensações que sinto, muita da diferente percepção do mundo que vejo agora relaciona-se sem dúvida pela maturidade que vou adquirindo como pai mas não com actos concretos do meu filho. Participar no Trocas & Baldrocas dá-me o espaço necessário para escrever sobre as histórias de outros que me comoveram particularmente, ou permite-me dizer, por exemplo, que revi um filme onde um pai morre pelo seu filho e que, agora – só agora – choro quando vejo essa cena porque só agora sei o que é esse amor. Aqui, posso também falar directamente para vocês, caros leitores e leitoras, e perguntar-lhes directamente o que acham, o que pensam, o que sentem. Ao contrário do “Um Ano de Ti”, que é escrito para o meu filho, a minha participação no Trocas & Baldrocas é escrita para vocês que, tal como eu, todos os dias se questionam como pais e mães e tentam melhorar, tornarem-se ainda melhores, mais completos, o exemplo que sempre imaginaram de Pai ou Mãe.
O meu muito obrigado à Trocas & Baldrocas por este convite. A vocês, a todos vocês, por nos acompanharem e participarem nesta aventura sem fim.
