A Trocas & Baldrocas apresenta o Fórum das Mamãs!! - E dos papás também, é claro!!

Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

Um pai apresenta-se

Muitos de vocês já me conhecem do “Um Ano de Ti”, um relato que mantenho há quase um ano para o meu filho, para um futuro longínquo em que ele possa compreender o que escrevo e o que sinto com a ternura com que agora olho para ele e me pergunto sobre a paternidade, a vida, e quem somos nessa vida tão difícil de compreender. Mas então, para quem já me conhece, que faço aqui, no Trocas & Baldrocas?

Nunca existe um motivo único para o que quer que seja mas antes muitos motivos, díspares, e muito, muito, subjectivos. E se me ocorrem facilmente uns quantos, outros estão-me totalmente vedados ao entendimento. Acho que estou aqui porque achei o convite que o Trocas & Baldrocas lançou a todos os pais e mães blogosféricos irrecusável. Porque é motivante participar no início de qualquer projecto feito com alma e coração. Porque quem escreve para este blogue, escreve sobre os filhos que ama e para pessoas que também amam os seus próprios filhos. Porque talvez me sinta sonhador e acredite que o amor pode tudo e, quando escrevemos sobre os nossos filhos estamos, de alguma forma, a amá-los ainda mais, tornando-nos, pelo caminho, pessoas mais tolerantes, compreensivas, maduras – mais completas.

Claro que nem todos os motivos para participar no Trocas & Baldrocas são assim tão altruístas. O relato que escrevo tem um início e fim bem definidos. Termina a 31 de Janeiro de 2005. E concluo agora que, a partir do momento em que comecei a escrever sobre o meu filho, tudo mudou. Agora apercebo-me que vejo de uma forma diferente o mundo que sempre me rodeou. Sendo tudo igual em volta, tudo agora me parece distinto. Até os actos mais simples, como ir a um lavabo público e verificar se tem fraldário e se é, ou não, unisexo. É uma nova percepção da vida e do mundo. E rapidamente concluí que não poderia parar de escrever sobre o meu amor pequenino – especialmente o relacionamento entre nós os três, as mudanças nas nossas vidas ou a mudança na forma como a vemos e sentimos.

Além destes motivos, o relato que faço do primeiro ano da vida do meu filho é vocacionado, objectivo, concreto. Muitas das novas sensações que sinto, muita da diferente percepção do mundo que vejo agora relaciona-se sem dúvida pela maturidade que vou adquirindo como pai mas não com actos concretos do meu filho. Participar no Trocas & Baldrocas dá-me o espaço necessário para escrever sobre as histórias de outros que me comoveram particularmente, ou permite-me dizer, por exemplo, que revi um filme onde um pai morre pelo seu filho e que, agora – só agora – choro quando vejo essa cena porque só agora sei o que é esse amor. Aqui, posso também falar directamente para vocês, caros leitores e leitoras, e perguntar-lhes directamente o que acham, o que pensam, o que sentem. Ao contrário do “Um Ano de Ti”, que é escrito para o meu filho, a minha participação no Trocas & Baldrocas é escrita para vocês que, tal como eu, todos os dias se questionam como pais e mães e tentam melhorar, tornarem-se ainda melhores, mais completos, o exemplo que sempre imaginaram de Pai ou Mãe.

O meu muito obrigado à Trocas & Baldrocas por este convite. A vocês, a todos vocês, por nos acompanharem e participarem nesta aventura sem fim.

Os sustos

A gravidez é um longo processo que se prolonga por 9 meses. Para algumas mulheres os 9 meses passam num instante, para outras os 9 meses parecem anos. Tudo depende como encaramos a gravidez e do ambiente que rodeia a grávida. Na primeira gravidez tudo é novidade: as transformações do nosso corpo, a revolução das hormonas, as emoções que oscilam entre a felicidade profunda e a tristeza, as ecografias, os pontapés, os exames, o amor que sentimos por aquele ser que vive e cresce dentro de nós. Mas a gravidez é também uma fase da nossa vida em que apanhamos alguns sustos. Como não podemos ver o nosso bebé, a grávida preocupa-se com o bem-estar do seu bebé. Por vezes, essa preocupação é exagerada e só provoca ansiedade e stress na mãe e por consequência no bebé. Lembro-me perfeitamente como se fosse ontem, o maior susto que apanhei nas duas gravidezes. Estava no inicio da gravidez da Bi, era uma mãe maravilhada com a gravidez e com o concretizar de um sonho. Até que uma noite tive uma hemorragia, sem dor, sem mais nenhum sintoma mas essa hemorragia atormentou-me, deixou-me desesperada. Lembro-me de estar a chorar e dizer para mim mesma que nunca tinha experimentado até àquele momento tanta preocupação, tanto desespero, tanta aflição. Foi nesse momento que eu nasci como mãe. Depois fui ao médico e estava tudo bem. Foi apenas uma reacção sem consequências do meu corpo à gravidez. Mas esse susto ficou na minha memória e no meu coração. Este foi o meu maior susto. E o vosso, qual foi?

Segunda-feira, Janeiro 03, 2005

Gravidez - Uma Tristeza

Apesar de toda a alegria que sentimos quando geramos um novo ser, há também alturas em que se torna complicado para um grávida toda a situação da gravidez. Sei que nem todas passam pelo mesmo, mas não sou a única.
Muitas vezes me passou pela cabeça pensamentos menos bons durante toda a gravidez e transcrevo aqui alguns deles que muitas se identificaram de certeza, apesar de que poucas o admitem.
Mas temos que ver pelo lado positivo, estes pensamentos são fruto de um descontrolo hormonal próprio da gravidez, que nos torna mais sensiveis, que nos cansa, que nos torna carentes de afecto, receosas do futuro; para muitas grávidas como foi o meu caso, achamo-nos feias e gordas e precisamos constatemente que nos tranquilizem e nos certifiquem que continuamos lindas.
Se por um lado temos uma grande força para aguentar ir ao médico todos os meses, fazer não sei quantos exames, de jejum, com a bexiga cheia, tirar sangue, sentira as grandes e grossas mãos da ginecologista a medir a barriga, o toque que ás vezes é doloroso, e outras coisas chatas e dolorosas. Por outro lado voltamos a ser crianças desprotegidas, chorosas, com as emoções á flor da pele, que nos leva a navegar em pensamentos muito negativos.
Muitas vezes me passaram pela cabeça coisas do género:
- Se calhar deveria abortar!
- Será que vou ser uma boa mãe?
- E se não for prefeito, abandono-o? Serei capaz de o amar assim?
- Será que vou gostar do meu filho?
- E se o achar horroroso?
- E se não for capaz?
- E se o pai não gostar da criança, opto por quem?
- Não aguento, vou desistir!
- A minha vida está uma me.... a culpa é dele!!!!!
E muito mais coisas.

Hoje sei a resposta para todas as perguntas, tenho a certeza que a minha filha é o que de melhor tenho e sei que me ama e eu a ela incondicionalmente.
Deixo um conselho. Por piores que sejam os vossos pensamentos nessa altura, não deixem de os partilhar com alguém, torna-se mais fácil suportar e encontrar respostas.
Um beijinho,
Cláudia