A Trocas & Baldrocas apresenta o Fórum das Mamãs!! - E dos papás também, é claro!!

Sexta-feira, Abril 29, 2005

Fim de semana com acréscimo!

Foi mais um fim de semana mas, desta vez, com um pequeno acréscimo...não de dias (como aliás deveria proporcionalmente ser) mas, de eventos. Dia 01/05/2005 - Domingo - foi dia da MÃE (os pais não fiquem invejosos porque já tiveram a mesma distinção em Março ;-))).

Não é que eu seja muito apologista dos dias de... mas, por mais que não queira os meus filhos lembram-me como é especial, também para eles (sobretudo o mais velho que na escolinha preparou a lembrança para a mãe - eu!)

Mas como o conceito de segredo ainda não lhe é totalmente familiar e reconhecido, lá deixa escapar - como aconteceu na 6ª feira passada - em sussurro "Mãe, tenho uma 'penda' 'pa' ti, mas é 'seguedo', tá bem?!"
Como podemos dizer que não a isto? Claro está que disse que sim, seria o nosso segredo e no dia - 01/05/05, ontem - fiz o meu papel de mãe surpreendida só para ver aquela cara de felicidade, pela inocência da oferta e pelo peso do significado.

Espero que tenham tido um Feliz dia da Mãe que, , só de olhar para eles já basta e afinal são todos os dias !!
Canhota

Quinta-feira, Abril 28, 2005

Como prometido...

... e o breve foi mesmo breve, aqui está o relato dedicado ao meu 2 filho, o pimpolho D.
"Consciente e certa!
Assim estava eu quando decidi que te queria.
Foste o 2º mas, o desejo de te ter foi o mesmo, como se fosses o primeiro.

Estávamos quase, quase no final de mais um ano quando pedi ao pai para trazer da farmácia uma pequena caixa que me podia dizer se já te trazia comigo, ou não.
No rectângulo tosco a que chamamos WC, 3 pessoas esperam o resultado de ti: eu, o pai e o mano, este ainda sem perceber o que se passava!
Positivo, foi o resultado e foi também aí que comecei a pensar como serias mas, ... teria de esperar 9 meses.
Fiquei muito feliz por saber que, mais uma vez, ia ter a experiência mais maravilhosa que pode ser dada a uma mulher ... ser mãe e tudo o que se lhe antecede!

Muito mais depressa que o teu irmão te mostraste, crescendo na minha barriga a olhos vistos, todos os dias um pouco maior.
Com apenas 3 meses já não era possível disfarçar que aí vinhas, estava à vista de todos.
Não foste pensado para a altura que foi mas, foste planeado com o mesmo amor, com a mesma vontade, só não te sabíamos ainda como menina ou menino ...

O tempo foi passando e quando chegou a altura soubemos que teríamos mais um príncipe, mais um menino vinha aí. Foi difícil decidir como irias chamar-te mas, por fim e bem a tempo ficou decidido que serias tu... o D. da minha vida !
Durante 6 meses portaste-te bem, no aconchego da minha barriga cresceste, mais e mais.
Ao 7º mês começaram as coisas menos boas... não gostavas muito de te mexer e a preocupação e a ansiedade tomaram conta de mim. Estarias bem ?

Como te queria, meu filho, só conseguia pensava se estarias bem e domava-me em tudo o que te pudesse incomodar.
Nas férias de Verão, enquanto o teu irmão não sossegava tu mal te mexias e assustavas-me. Seria normal? Bem se sabe que os bebés não são todos iguais mas, a experiência anterior não me deixava relaxar.
Voltei ao activo em Agosto mas, tu não quiseste e logo na 1ª semana obrigaste-nos a entrar e a passar 1 semana na Maternidade. Como me assustei e como me custou ficar longe do pai e do mano, todavia, pelo teu bem estar tudo valia a pena!
Afinal só queiras que a mãe descansasse e quando assim foi toda a tua actividade voltou e a minha alegria também!

Com recomendação de repouso voltámos ao lar e aí seria esperar pelo dia da tua chegada.
Mais uma vez fomos só os 2, um para o outro, juntos num único corpo!
No dia em que decidiste ver como era a mãe e o mundo, estava calor e já de noite entrei para aquela casa, já nossa conhecida.
Ao contrário do mano, já a madrugada ia avançada quando tu... D., alertaste a mãe e em tom mudo disseste “Mãe, estou a chegar”.
Só eu te ouvia, mas também quem mais precisaria de te ouvir ?

Desta vez o pai não entrou, mandaram-no para casa e quando acordou já estavas comigo. Desta vez não pode testemunhar quão fácil foi (ao contrário do mano) trazer-te a este mundo, quase sem dor e rápido como se quer.

Pois é, devagarinho conseguimos fazer tudo o que era nosso objectivo, senão vejamos, entrar, esperar pela dilatação certa (3cm), pedir e levar a epidural, relaxar e, por fim, poder ajudar-te a deixar o teu cantinho já apertado e apresentar-te a todos aqueles que já te aguardavam.
Mais uma vez foi único, consciente, FELIZ, o momento em que chegaste e, mais uma vez (aqui tal como o teu irmão), colocaram-te no meu peito e sossegaste ao ouvir o bater daquele coração que te fez companhia quando o mundo dos sons era reduzido a esse e a poucos mais ruídos, no interior da mãe.

Já conhecia a experiência mas, nunca é igual e demais a chegada de um filho. E que saudades me deu do teu irmão. Queria que ele te conhecesse, mas em casa seria melhor.

Novamente, a minha vida tinha mudado para sempre... agora éramos 4!!! "

Até breve, novamente ;-)))
Canhota

Quarta-feira, Abril 27, 2005

Para começar bem!

Comecemos bem e como todas as histórias, pelo princípio!!
O objectivo é colocar textos de nossa autoria, pois então será.
Ter um filho é uma coisa natural, dizem alguns, para mim foi mais do que isso, foi uma experiência única que resolvi explicar aos meus filhos através de um texto, especialmente escrito para cada um deles (quando o consigam ler e compreender).
O primeiro, para o primeiro filho (o pimpolho G.) reza assim:

"Por querer, porque sim !!

Foi por querer, por achar que algo mais nos faltava que decidimos que te queríamos.... muito!
E então, como quem quer muito uma coisa buscámos-te, procurámos-te durante 1 ano e meio, mas, não te conseguimos encontrar.
Sem perder o alento e a pensar que demoraria muito mais tempo resolvemos não pensar no assunto, para não torrar a psique (e os seus infindáveis segredos que condicionam a nossa vida, ainda que inconscientemente).

Os dias, semanas, meses passaram e 1 dia alguém achou que eu tinha mais qualquer coisa comigo, para além do habitual... estava certa, eras tu!
Parecia uma brincadeira. Incrédula, confusa, feliz e cheia de expectativas quis acreditar que, finalmente eras tu !!
Duas semanas mais tarde, num cadeirão de pele a uma temperatura agradável, depois de um exame empírico, a confirmação... sim senhor, tu estavas a caminho.
Não foi nesse momento que te tornaste senhor de mim, mas antes, logo naquele dia em que vi as bolinhas passarem a riscas e o branco tornar-se vermelho. Sim, foi nesse momento que pensei: Não te conheço mas és meu, não te sinto mas estás comigo.
O mundo de hoje é fantástico, o que tem de bom pode também ter de menos bom mas, fiquemo-nos pelo bom – a tecnologia. Que ideia maravilhosa poder ver um ser que vive mas, ainda não o é na sua plenitude e poder chamar-lhe FILHO, o meu FILHO.
Assim foi; pequeno, quase invisível mas lá, firme, pujante, VIVO !
Pequenas gotas formaram-se nos meus olhos e com força, para que elas não saíssem, sorri... de felicidade extrema.
Sim, nesse momento fui feliz, como nunca e foi bom, muito bom.
Depois foi viver um estado (dizem) de graça, iluminado, exfusiante, enebriante, viciante e maravilhoso, durante 9 meses, 270 dias, muitos momentos únicos vividos na 1ª mas com uma 2ª pessoa !

Fomos um do outro, só os 2 ...

O meu estômago revolvia-se mas era por Ti, o meu corpo deixava de ser meu mas era para Ti... eu fui a tua casa e tu a minha vida, então e sempre !
Quase não descansei até ao dia em que te senti, pela 1ª vez. Um só toque, forte e seco, vindo de dentro de mim só podias ser tu – pensei!

E eras...

A partir desse dia, se já estava como se pisasse nas nuvens ainda fiquei mais elevada... tudo era único, autêntico e meu, só meu.
Só pensava em ver-te novamente, através do monitor a preto e branco mas, onde tudo se distinguia cada vez mais. O teu rosto, o teu corpo, as tuas mãozinhas e pézinhos, os teus pequenos movimentos ou apenas o teu sono silencioso e tranquilo.
Foi ver-te e ver-me crescer por ti, para ti, para que coubesses no espaço que te podia oferecer.
E tu aproveitaste para ficar forte, para te preparares para o dia em que deixarias de ser só meu para ser de todos.
Esse dia chegou, hoje sinto que depressa demais, e por ser a 1ª vez também foi mais difícil, mais demorado. O principal é que estavas bem!!

........

Entrei sozinha e pelo meu pé, nunca me senti tão só como naquele momento.
Achei que ninguém iria entrar e ficar comigo até que tu decidisses que era a tua hora, mas enganei-me. O pai arranjou forma de nos fazer companhia, de me acalmar e de me ajudar a apresentar-te ao mundo!
Durante horas esperámos, com toda a parafernália que nos segue numa situação e locais semelhantes; o ambiente clínico nunca foi um espaço acolhedor, pior ainda se associarmos todo o desconforto que sentia. Mas era tudo por ti!

As horas passavam, os silêncios alternavam com os sons próprios do ambiente que nos rodeava...
A noite caíu e a dor e o desconforto aumentaram, mais e mais.
A madugada ainda mal tinha começado quando alguém disse: “É agora”. E foi...
Abri os meus braços para te acolher e os meus olhos para te conhecer, finalmente. Depois de tanta intimidade entre nós decidiste vir ao mundo.
O primeiro instante em que te pousaram no meu peito olhámos um para o outro e eu disse: “Olá coisa fofa!”, e tu ficaste a ouvir o bater do meu coração acelerado, como se ainda estivesses dentro de mim, no teu espaço.
Foi o 1º momento mais lindo da minha vida!! Mais uma vez fui FELIIIIZZZZZZ !!!!..........
O pai olhou e não conseguiu falar, só queria saber se estavas bem e quanto pesavas. Quando a enfermeira te levou ele correu atrás dela e quando voltou segredou-me ao ouvido: “Quase 4 quiilos... 3.920 Kg”.
Deu-me um beijo e pediram-lhe para sair.
Mais uma vez fiquei sozinha e já com saudades da barriga que tu fazias, fizeste durante nove meses !
Só te queria ver, ter-te junto a mim, naquele dia e para sempre.
Nâo tive de esperar muito porque, pouco depois estavas comigo, já vestido e à espera do colo quentinho.
Como eras lindo e único. Apaixonei-me, mas era uma paixão diferente, era uma coisa profunda, de entranhas; nada, nem ninguém me podia separar de ti.
Vi-te adormecer ao meu lado e então descansei. O último pensamento que atravessou a minha mente e parou em frente aos meus olhos foi: “Hoje começa o resto da tua vida, com o TEU filho!”
Adormeci e o amanhã era um novo dia, em todos os sentidos !"

Brevemente colocarei o do 2º.
Canhota

Nova "Sócia"

Olá a todos!
Esta novidade dos blogs deixou-me completamente viciada, principalmente aqueles como este que relatam, definem ou afirmam as experiências de mães e pais.

Como todos, também eu tenho experiências novas, todos os dias, proporcionadas por 2 pimpolhos: 1 de quase 3 anos (a completar no próximo mês), outro de 8 meses que se completam precisamente hoje.

Aqui espero poder comentar e ser comentada, partilhar e quiçá aprender.
Um bem haja a todos! :-))

Canhota

Terça-feira, Abril 26, 2005

Como estou em falta convosco!!!!!

Queridos Amigos, estou em falta convosco. O tempo tem sido muito escasso e a minha cabeça também não me tem facilitado a vida para que possa escrever.
Veremos se sai algo de jeito.
Hoje queria escrever não sobre a minha filha, mas sim como filha para a minha mãe. Este texto foi escrito uns dias atrás, no Hospital de Cascais quando a minha filha teve uma gastroentrite e foi internada:

Minha Mãe

Hoje escrevo porque descobri que não sou uma mãe tão forte quanto queria ser e, como conheço uma que admiro. Mas, aceito a minha fragilidade porque sei que vou conseguir vencê-la.
Mãe! A minha mãe não é a melhor mãe do mundo porque, nenhuma é, somos todas grandes mães, só que a minha é muito grande.
Eu queria ser como a minha mãe, queria ter a força dela, mas não a vida dela. Queria ser tão boa mãe como ela mas, reservar-me ao direito de ser mulher e profissional. Ela vive o seu papel de mulher apenas como pessoa do sexo feminino que gerou três filhos e que os ama tão intensamente que nem os gestos nem as palavra seriam suficientes para o descrever, mas o que ela não sabe é que nós sentimos esse amor em todas as acções e na certeza que ela nos colocou no peito. Mas Tão Grande que é a minha mãe! Nem subindo mil escadotes chegava a altura dela.
Olhando para a minha filha deitada nesta cama de hospital, gemendo, tento recuperar as forças e só o consigo porque sei que tenho por detrás de mim a minha mãe que aguenta comigo o barco, por mais pesado e velho que seja. A minha mãe já não é nova, mas perante as dificuldades rejuvenesce para nos ajudar mesmo que isso a deixe sem forças depois.
Eu quero acreditar que um dia a vida me fará tão forte como ela e que a minha filha um dia terá tanto orgulho em mim como eu tenho da minha mãe.
Porque é que só quando somos mães é que compreendemos os nossos pais? Só quando nos sentamos na cadeira dos nossos pais é que conseguimos avaliar o conforto ou desconforto da posição deles. É a experiência que nos faz amadurecer.
Pois então, quero passar á próxima fase, quero ser avó e de muito netos.
A minha filha ainda não sabe a sorte que tem em ter a minha grande mãe como avó, mas sabe que tem uma grande avó.

Cláudia Sousa